Artigo sobre Fraude

Garantia de idade na UE e no Reino Unido/Irlanda: o guia de conformidade para 2026

Vários países estão introduzindo legislações para proteger crianças do acesso a conteúdos prejudiciais online. No nível da UE e do Reino Unido, também há esforços crescentes nesse sentido – os governos promulgaram novas regulamentações para proteger crianças de um internet perigoso. Aqui estão algumas das leis mais recentes e impactantes.

Se a sua plataforma digital ainda depende de uma caixa de seleção de autocertificação ou de um simples campo de “inserir sua data de nascimento” como barreira de idade, ela pode não atender mais às expectativas regulatórias. Até 2026, as empresas que operam na União Europeia, no Reino Unido e na Irlanda precisarão de verificações de idade que sejam verificáveis, preservem a privacidade e estejam alinhadas à orientação dos reguladores.

O nível de exigência de conformidade passou de forma decisiva de “tenha uma verificação” para “tenha uma verificação verificável, que preserve a privacidade e esteja alinhada ao regulador”. Essa mudança é relevante para qualquer empresa que ofereça conteúdo gerado pelo usuário, produtos com restrição etária, conteúdo adulto, plataformas sociais, serviços de compartilhamento de vídeo, jogos, streaming ou outras experiências digitais que provavelmente serão acessadas por crianças.

O risco deixou de ser apenas teórico. Os reguladores estão definindo padrões mais claros, os prazos de fiscalização estão ficando mais rígidos e as penalidades podem incluir multas elevadas, responsabilidade de executivos e danos duradouros à reputação.

O que as empresas precisam fazer agora

A verificação de idade está se tornando rapidamente um requisito operacional obrigatório que precisa ser incorporado às suas políticas de conformidade. As empresas devem agir com rapidez em três frentes.

  • Revise suas verificações de idade atuais. Se a sua plataforma depende apenas de autocertificação, avalie se ela atende aos padrões nos mercados em que você atua. Em muitas jurisdições, as empresas precisarão de métodos mais robustos, como estimativa de idade por reconhecimento facial, verificação segura de documentos ou outras abordagens alinhadas aos reguladores.
  • Atualize sua documentação de conformidade. Políticas de privacidade, termos de serviço, materiais de confiança e segurança e manuais internos de conformidade devem refletir as leis mais recentes e as novas expectativas de fiscalização. A documentação e o conteúdo existentes devem ser revisados e atualizados para evitar a dependência de linguagem desatualizada sobre barreiras de idade básicas ou autoateste.
  • Melhore as mensagens voltadas ao usuário. Os usuários devem entender por que uma verificação de idade é exigida, quais dados são coletados, como eles são protegidos e quais alternativas podem estar disponíveis. Mensagens claras reduzem o atrito e ajudam a criar confiança no momento da verificação.

A convergência de padrões regulatórios para segurança infantil e privacidade

Reguladores no Reino Unido, na UE e na Irlanda estão caminhando para a mesma expectativa central: as plataformas devem tomar medidas ativas para impedir que crianças tenham acesso a conteúdo prejudicial ou inadequado para a idade, ao mesmo tempo em que protegem a privacidade dos usuários.

Isso não significa que todos os países tenham regras idênticas. As estruturas legais variam de acordo com o mercado e a fiscalização pode variar conforme o regulador. Mas a direção é consistente. As empresas precisam de sistemas que consigam comprovar que funcionam, minimizem a coleta desnecessária de dados e se adaptem aos requisitos locais.

Reino Unido: requisitos de segurança online se tornam operacionais

O Reino Unido se tornou um dos exemplos mais claros dessa mudança. O Online Safety Act 2023 se aplica a serviços com base no Reino Unido e a serviços internacionais com oferta no país que permitem conteúdo gerado pelo usuário ou publicam conteúdo com restrição etária, incluindo pornografia e outros materiais que possam ser prejudiciais a menores.

Para as empresas, o requisito é prático: remover conteúdo ilegal, impedir que crianças acessem material inadequado para a idade e usar garantias eficazes de idade quando necessário. A partir de 25 de julho de 2025, espera-se que os serviços que hospedam ou distribuem conteúdo potencialmente prejudicial a menores implementem soluções de verificação de idade ou garantia de idade que atendam aos requisitos da lei.

A orientação da Ofcom aponta métodos como verificação de identidade por documento com foto e estimativa de idade por reconhecimento facial como formas de apoiar a conformidade. É aqui que a mudança em relação às barreiras de idade básicas fica clara. Um usuário digitando um ano de nascimento não é o mesmo que uma verificação verificável que resista ao escrutínio regulatório.

O Age Appropriate Design Code do Reino Unido, também conhecido como Children’s Code, adiciona outra camada. Em vigor desde 2021, ele se aplica a serviços digitais que provavelmente serão acessados por crianças e foca em configurações de privacidade altas por padrão, comunicação adequada à idade e minimização de dados. Juntos, o Online Safety Act e o Children’s Code deixam clara a posição do Reino Unido: as plataformas devem proteger as crianças desde a concepção do serviço, e não como uma reflexão tardia.

As penalidades previstas no Online Safety Act podem chegar a £18 milhões ou 10% da receita mundial, com possível responsabilidade criminal para executivos seniores em certos casos. A fiscalização da proteção de dados no Reino Unido também pode resultar em multas significativas por falhas relacionadas à privacidade e ao tratamento de dados de crianças.

União Europeia: bases comuns, fiscalização local

No nível da UE, o Digital Services Act (DSA) e a Diretiva de Serviços de Comunicação Social Audiovisual (AVMSD) criam uma base comum para a proteção de menores online. O DSA exige que as plataformas abrangidas considerem riscos sistêmicos, transparência, sistemas de recomendação, práticas de publicidade e proteções para menores. A AVMSD, em uma escala mais ampla, trata do conteúdo audiovisual e exige salvaguardas para impedir que menores acessem material prejudicial.

O desafio prático é que, por ser uma diretiva da UE, a AVMSD é aplicada por meio de reguladores nacionais e leis locais. Isso significa que as empresas precisam de uma estratégia de conformidade regional que também leve em conta os requisitos específicos de cada país.

França: verificações de idade mais rigorosas e consentimento dos pais

A França tem sido ativa no reforço das proteções para menores online. A Lei nº 2024-449 se soma à crescente estrutura do país para segurança infantil, verificações de idade e consentimento dos pais. As empresas que atendem usuários na França devem esperar uma análise mais atenta sobre se a verificação de idade é efetiva, consciente da privacidade e tecnicamente confiável.

Para as plataformas, a principal conclusão é que uma barreira de idade genérica provavelmente não será suficiente. Os serviços podem precisar verificar se um usuário está abaixo de um determinado limite etário, oferecer suporte ao consentimento dos pais quando exigido e alinhar-se às expectativas dos reguladores, como a Arcom e a CNIL.

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A verificação de idade não deve ocorrer às custas da privacidade ou do aumento de atrito para o usuário, e ferramentas biométricas como a estimativa de idade por reconhecimento facial representam a próxima fronteira para proteger menores enquanto fortalecem a confiança digital.

Kaarel Kotkas Fundador e Diretor Executivo Veriff

Itália: regras técnicas para sites e plataformas de compartilhamento de vídeo

A Itália também avançou em direção a requisitos mais explícitos. A Lei 159/2023 proíbe menores de acessar conteúdo pornográfico, criando uma obrigação clara para as empresas que hospedam ou distribuem material adulto.

A Delibera 96/25/CONS da AGCOM, emitida em 12 de maio de 2025, vai além ao definir regras técnicas e processuais para a verificação de idade por sites e plataformas de compartilhamento de vídeo. Este é um exemplo importante de como a regulamentação está se tornando mais específica. Não basta dizer que existe uma verificação de idade; as empresas precisam demonstrar que o método é adequado, confiável e alinhado às expectativas processuais do regulador.

Espanha: idade de consentimento digital mais alta e deveres explícitos para plataformas

O Proyecto de Ley Orgánica para la protección de las personas menores en los entornos digitales da Espanha foi aprovado pelo Conselho de Ministros em 4 de março de 2025 e está atualmente em tramitação parlamentar. A proposta eleva a idade de consentimento digital para 16 anos e cria obrigações explícitas de verificação de idade para plataformas online.

Para as empresas, a Espanha sinaliza para onde o mercado está caminhando: deveres mais diretos para as plataformas, maior foco nos direitos digitais dos menores e expectativas mais rígidas de que os serviços consigam identificar quando proteções adicionais são necessárias.

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Irlanda: segurança online por meio da Coimisiún na Meán

A abordagem da Irlanda agora se concentra no Código de Segurança Online da Coimisiún na Meán. O código define expectativas para serviços online regulados e reflete o movimento mais amplo em direção a ambientes digitais mais seguros para crianças.

Para as empresas que atuam na Irlanda, o ponto prático é semelhante à posição do Reino Unido e da UE: as plataformas devem projetar proteções para crianças dentro da própria experiência do serviço, e não depender de verificações fracas depois do fato. As empresas devem estar preparadas para mostrar como avaliam riscos, protegem menores e aplicam garantias de idade quando apropriado.

Alemanha: soluções credenciadas para conteúdo prejudicial

A Alemanha há muito exige proteções mais robustas em torno de mídia juvenil e conteúdo prejudicial, por meio de estruturas como a JMStV e a JuSchG. As plataformas podem precisar usar soluções credenciadas de verificação de idade para restringir o acesso de menores a determinados conteúdos, com penalidades que podem chegar a €300.000 em alguns casos.

A Alemanha reforça a mesma lição mais ampla: os reguladores esperam cada vez mais métodos de verificação de idade que sejam auditáveis, eficazes e adequados ao nível de risco do conteúdo ou serviço.

O que isso significa para empresas transfronteiriças

O Reino Unido, a UE e a Irlanda não estão seguindo direções distintas. Eles estão convergindo em torno de um padrão mais elevado de segurança infantil online.

As empresas que atuam em várias jurisdições não devem criar um processo separado e reativo para cada nova regra. Em vez disso, devem criar uma estrutura flexível de garantia de idade que possa se adaptar aos requisitos locais, mantendo a experiência do usuário consistente.

Essa estrutura deve responder a quatro perguntas:

  • Quais usuários, produtos ou tipos de conteúdo exigem verificações de idade?
  • Quais métodos de verificação são adequados para cada nível de risco?
  • Como a empresa minimiza a coleta de dados e protege a privacidade?
  • A empresa consegue demonstrar aos reguladores que o processo funciona?

Se a resposta a qualquer uma dessas perguntas não for clara, agora é o momento de atualizar sua abordagem de conformidade.

Equilibrar conformidade, privacidade e experiência do usuário

Uma verificação de idade robusta não precisa significar alto atrito. A melhor abordagem depende do caso de uso.

A estimativa de idade por reconhecimento facial pode ajudar a avaliar se um usuário está acima ou abaixo de um limite etário exigido sem solicitar um documento de identidade. Isso pode reduzir o atrito e apoiar a privacidade, limitando a quantidade de dados pessoais coletados.

A verificação baseada em documentos continua importante quando é necessário um nível mais alto de garantia, como para produtos regulados, serviços de alto risco ou situações em que a validação exata da idade é necessária.

O objetivo não é coletar mais dados. O objetivo é usar o método certo para o nível certo de risco, oferecendo aos usuários uma experiência clara, segura e confiável.

O ponto-chave para 2026

A verificação de idade na UE, no Reino Unido e na Irlanda entrou em uma nova fase. Os reguladores não estão mais satisfeitos com barreiras de idade básicas ou autocertificação não verificada. Eles esperam que as empresas impeçam menores de acessar conteúdo prejudicial ou com restrição etária por meio de verificações verificáveis, que preservem a privacidade e estejam alinhadas aos reguladores.

Para as empresas, o próximo passo é claro: revisar seus sistemas atuais de verificação de idade, atualizar a documentação pública e interna, melhorar as mensagens aos usuários e adotar tecnologia que consiga atender a diferentes requisitos regulatórios em vários mercados. As empresas que agirem agora estarão em melhor posição para proteger usuários jovens, manter a confiança e reduzir o risco de conformidade à medida que a fiscalização se intensificar.

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